As Lições do Estado Islâmico Antes de Seu Colapso

Via Maldição Ancestral

O Islamic State of Irak and Siria (ISIS), ou vulgarmente chamado de Estado Islâmico (EI), tem sido a força terrorista mais ameaçante dos últimos anos. Desprendido da Al Qaeda e ressurgido pela guerra civil na Síria, se fez presente em vastos territórios sob os quais controla baixo a Sharia*, zonas onde instituiu um verdadeiro Califado**.

O EI não é um grupo, não é uma organização com militantes contados e algumas poucas armas, não é nada disso, ele se fez com equipe militar sofisticada, com treinamento de elite, e isso junto a sua mobilidade e a sua devastadora máquina propagandística. O EI é a evolução do islamismo extremo em toda a expressão da palavra. Mas um Estado desse não teria o êxito que teve desde o início sem aliados econômicos e políticos. O EI não se fez forte da noite pro dia, ele teve autoridades cúmplices, xeiques o financiaram para ter uma verdadeira presença mundial, ter pactos com criminosos e máfias, etc.

Fazendo um distanciamento de toda a demonização midiática que tem bombardeado a causa islâmica extremista desde os seus primeiros atos de “barbárie”, e igualmente tomando distância de toda a “moral do ataque”, há algumas coisas que poderiam ser aprendidas, especialmente em sua estratégia de terror, como é possível ler adiante. Já deixo claro que talvez este assunto resulte incômodo ou inapropriado para algumas pessoas, por isso, se você, leitor desta análise, não está familiarizado com a temática da amoralidade e da extramoral nietzscheriana dos niilistas terroristas recomendo que pule fora deste artigo agora mesmo, já que apenas poucos indivíduos podem fazer uma leitura e compreender sem nenhum remorso moral cristão-humanista. Talvez algumas pessoas também considerem que o EI é fascista, e isso de fato não me importa, pois poderia rapidamente contra-opinar expondo como que o ocidente também é fascista, mas para mim dá no mesmo, não quero fazer “gala” de minha “consciência política” posto que me considero um individualista antipolítico, então para os que talvez me considerem fascista ao dizer que é possível aprender coisas com o EI, que saibam que pouco me importo com os seus possíveis julgamentos. A política não é meu forte, isso tem haver com a lente da amoralidade.

Sexta-feira 13: Dia de “Má Sorte”.

Na sexta-feira de 13 de Novembro de 2015 na cidade de Paris, França, enquanto a juventude desfrutava da diversão ocidental do fim de semana concentrada em shows musicais, conversando em bares e curtindo uma partida de futebol, três grupos do EI formados por nove jihadistas franceses, belgas e iraquianos atacam a cidade símbolo do ocidentalismo, atacam os defensores da “liberdade”, “igualdade” e “fraternidade”, valores contrários ao islã.

Três terroristas suicidas com coletes-bomba compostos de peróxido de acetona ao não poderem entrar no Estádio da França (que era um de seus objetivos), se explodem nas imediações do jogo amistoso entre França e Alemanha, local onde além de haver 80 mil espectadores o próprio François Hollande se encontrava ali.

Ao mesmo tempo o segundo grupo ataca vários bares e restaurantes com fuzis AK 47, disparando indiscriminadamente e se detonando dentro deles.

Da mesma forma, quatro terroristas chegaram a boate Bataclan, onde se apresentava o grupo musical estadunidense “Eagles of Dead Metal”, e então tomaram o lugar e massacraram a todos os que não puderam fugir.

Um dos sobreviventes disse, eu vi o rosto do homem que estava atirando em mim, era jovem como eu, atuava com precisão e determinação.

Neste grandioso ataque contra a civilização ocidental 130 civis foram mortos e mais de uma centena de pessoas ficaram gravemente feridas tanto por disparos como pelos explosivos dos suicidas. Todos os combatentes do EI morreram.

Estes ataques coordenados foram rápidos e súbitos como um tsunami. Com foco em conseguir assassinar o maior número de pessoas, golpearam e deixaram uma profunda ferida na capital, Paris, cidade que os islâmicos extremistas não deixaram em paz por várias razões, e uma delas podem ser consideradas como a inimizade histórica, a ambivalência entre o ocidental e o islâmico, a guerra desencadeada pela Coalização Internacional (da qual a França faz parte) contra territórios do EI, etc.

Os islâmicos radicais do EI e outros grupos odeiam o mundo ocidental, sua crenças, suas tradições, sua música, sua convivência, suas drogas, e, resumidamente, sua civilização como um todo. A guerra do EI é uma verdadeira guerra contra a civilização. Tenho a certeza de que se triunfassem imporiam com mão de ferro sua civilização islâmica, mas de qualquer maneira é uma guerra, por isso, pessoalmente, eu não tenho nenhum problema moral em aprender algo com ela.

Voltando à questão, como vimos anteriormente, o grau de sofisticação neste atentado pode se dizer que foi alto, já que foi necessário conseguir os materiais para a fabricação dos coletes-bomba; houve a necessidade de planejamento estratégico, de como observar os alvos e estudá-los; de como conseguir as armas e alugar o carro, etc., todos os jihadistas que participaram nos ataques foram treinados na Síria e alguns regressaram à França como refugiados. Já em Paris tiveram que comprar os bilhetes dias antes para a partida de futebol, e seguir com o plano para executá-lo, ou seja, houve tempo, dinheiro, determinação e ferocidade.

Os Gays: Inimigos de Alá

Embora nem todos os ataques do EI foram executados por muitas pessoas com um grau de treinamento militar complexo, e não utilizando uma grande quantidade de dinheiro, o EI nos ensinou que para atacar de maneira selvagem muitas vezes só é necessário agir em silêncio, sozinho e saber o básico sobre as armas utilizadas nos ataques.

12 de Junho de 2016, às 2:02 da manhã dentro da boate gay noturna “Pulse” localizada em Orlando, Flórida, um homem armado com um fuzil simi-automático SIG Sauer MCX, e uma pistola Glock 9 MM começa a disparar contra os homossexuais que desfrutavam de bebidas alcoólicas, drogas, música e promiscuidade. Um dos sobreviventes da matança afirma ter visto a cara do homem e disse que “ria enquanto disparava“.

Os corpos dos homens gays caiam ao solo espalhando sangue por todo o lugar, alguns gritavam como mulheres enquanto corriam e o homem continuava disparando. Quando a polícia chegou ao lugar o homem muçulmano de origem afegã de nome Omar Mir Seddique Mateen já havia massacrado a um pouco mais de 50 pessoas, e havia deixado a outras 50 seriamente feridas. No final do confronto com a polícia e já com as armas completamente descarregadas o muçulmano extremista morreu pelas balas disparadas pelo corpo especial da SWAT.

Após o massacre de Orlando a mídia tentou difamar o combatente extremista dizendo que frequentava o clube noturno, que era um gay frustrado e que estava negociando com a polícia através do número de emergência, fazendo-o ser visto como um arrependido ou um “amante frustrado”. Depois destas mentiras soube-se que Omar não era gay, desprezava a estes por considerá-los aberrações ocidentais, e soube-se que era combatente do EI e que antes do ataque havia jurado lealdade ao Estado Islâmico falando a um número de emergência.

Nesta ocasião bastou apenas um homem e balas suficientes para causar o maior número de vítimas. O atentado em si não poderia ser impedido pelas autoridades já que Omar atuou sozinho, não deu nenhum sinal de alerta, nem sequer teve cúmplices, mas, estrategicamente escolheu uma hora e um lugar onde sabia muito bem que iria causar uma grande quantidade de vítimas, além de que atacar a homossexualidade em seus locais de recreação é um dos objetivos dos lutadores do EI contra os inimigos de Alá.

Niza: O Caminho dos Mortos

Outro dos exemplos de ataques do EI que não corresponde necessariamente com o modus operandi dos exemplos citados acima se fez presente em 4 de Julho de 2016 durante a festa do Dia Nacional da França celebrada na cidade costeira de Niza. Um muçulmano tunisiano chamado Mohamed Lahouaiej Bouhlel conduziu um caminhão de carga durante 2 quilômetros atropelando indiscriminadamente a multidão que se concentrou no Passeio dos Ingleses observando os fogos de artifício. Mohamed que foi silencioso e rapidamente radicalizado pela propaganda do EI, conduziu o caminhão enquanto disparava com uma arma de fogo contra os civis e policiais que cuidavam da festa. Neste atentado o terrorista matou a 85 pessoas e feriu outras 300. No final o combatente do EI foi baleado pela polícia.

Devido ao acontecimento o governo francês ficou desmoralizado e confuso, já que este tipo de ataque não pode ser previsto, e menos ainda se for executado apenas por uma pessoa com um perfil muito baixo como Mohamed Lahouaiej. Os meios de comunicação tentaram fazer com que o terrorista fosse visto como uma pessoa com problemas psiquiátricos, e afetado economicamente e sentimentalmente por um divórcio, estratégia difamatória muito comum empregada pelos governos e a mídia para distrair a atenção da verdadeira causa dos atentados.

O modus operandi deste ataque foi muito utilizado por palestinos extremistas em Jerusalém e outros territórios ocupados pelo estado de Israel em 2015, conflito que levou o nome de “A Intifada das Facas”, onde foram contabilizados mais de 50 atropelamentos deliberados contra civis e agentes de segurança israelense. Com o atentado de Niza, uma nova “tragédia” havia abalado aos ocidentais enquanto o Califado era bombardeado pela Coalização Internacional na Síria e Iraque.

Igualmente Seletivos e Indiscriminados

Os ataques indiscriminados e seletivos do EI contra as multidões muitas vezes acontecem misturados. Isso aconteceu em 2 de Julho de 2016 na capital de Bangladesh, Daca. Um grupo de combatentes do EI estourou um restaurante frequentado por empresários e diplomáticos estrangeiros ao grito de “Allahu Akbar” (Alá é Grande), tomaram o restaurante e com ele vários reféns, os quais, um por um foi morto a machadadas. Após um tiroteio entre a polícia e os combatentes, os terroristas foram mortos, mas não sem antes assassinar a dois policiais no enfrentamento.

Os atentados seletivos também foram recorrentes por parte dos membros do EI em 26 de Julho de 2016. Dois muçulmanos extremistas Malik Petitjean e Adel Kermiche da zona norte da França entraram na igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray em Normandia e durante a missa começaram a entonar orações árabes, as quais assustaram as freiras. Os dois terroristas tomaram o controle da igreja e foram diretamente no sacerdote católico Jacques Hamel. Malik e Abel sacaram uma faca de dentro de suas roupas, fizeram o religioso se ajoelhar e o degolaram. Os dois combatentes foram depois mortos pela polícia após saírem da igreja com as freiras como escudos humanos. Este ataque causou grande indignação entre os círculos católicos. Os terroristas conseguiram degolar a um sacerdote dentro de uma igreja e novamente atingir o coração ocidental.

Refresco-bomba

Mas nem todos os ataques do EI foram levados a cabo desta forma. Em 31 de Outubro de 2015 o avião Airbus A321 da companhia aérea rusa Metrojet que saía do aeroporto egípcio Sharm el Sheik e se dirigia a São Petersburgo, Rússia, explodiu pelos ares caindo na província de Sinal e matando a 224 pessoas. O incidente ocorreu um mês após o presidente russo Vladimir Putin anunciar que se uniria a Coalização Internacional contra o Estado Islâmico. Rapidamente os muçulmanos reivindicaram o atentado, e como prova, em sua revista “Dabiq” publicaram uma foto do artefato artesanal que haviam utilizado para derrubar o avião. Se tratava de um explosivo (provavelmente plástico) dentro de uma lata de refresco com um detonador e uma pilha com cabos. O artefato detonava remotamente.

Neste caso a audácia dos terroristas se fez presente, assim como a lição de que é preciso apenas um pequeno artefato artesanal para causar uma grande “tragédia”.

Outras lições antes da queda do EI

Os ataques indiscriminados e seletivos executados pelo EI contam com uma característica tanto estratégica como de organização. Por um lado eles insistem em causar um grande número de mortos e feridos para conseguir uma grande cobertura midiática (em muitos casos internacionalmente), ao mesmo tempo sua mensagem é difundida amplamente e capta a atenção dos lobos solitários que a qualquer momento podem atentar. Mas por outro lado, seus ataques fazem com que uma grande quantidade de não-muçulmanos sinta hostilidade com qualquer um que professe esta religião, e então a discriminação contra os muçulmanos de qualquer tipo aumenta consideravelmente e principalmente na Europa e Estados Unidos, áreas onde a maioria dos ataques do EI e outros grupos são registrados. Os muçulmanos ao sentirem-se deslocados, discriminados e repudiados pela sociedade, tudo o que resta é tomar uma atitude intransigente, radicalizando-se e jurando lealdade ao EI, tirando a vida de algum ou alguns ocidentais.

Se percebermos, tudo o que foi feito pelo EI responde a uma estratégia global de ação-reação, desencadeando um círculo eterno de confrontação e guerra entre os polos opostos.

Embora na maioria destes casos citados e não citados nesta análise os combatentes morreram tanto por balas como pela ativação de seus coletes-bomba adornados em seus corpos, isso é um indicador da entrega TOTAL que tem enraizada as mulheres e os homens muçulmanos extremistas, o qual merecem MEU respeito. ***

Esta entrega que tem caracterizado os muçulmanos desde muito tempo vem de uma linhagem de confrontação forjando gerações de terroristas que, embora morram em cada ataque, parece que renascem.

Para o que parece ser uma lição de história repetida (com muitas variantes), comparando-a com a expansão da antiga URSS, o Califado Islâmico do Iraque e Síria aparentemente está chegando ao seu fim, o que logicamente será seguido de mais ataques e repercussão.

Do EI se pode tirar muitas lições para a continuação de nossa guerra contra a civilização, desde estratégias de combate-propaganda até formas de passar despercebido pela segurança informática e física, se podem aprender coisas valiosas do EI ou condená-lo como a maioria dos cordeiros fazem.

-Ghoul

Notas:

*Sharia ou Lei Islâmica é uma regra moral e religiosa utilizada para castigar a todos aqueles que a violem. Por muito tempo esta lei tem sido discutida por sua variada interpretação em países na qual está estabelecida. No Estado Islâmico do Iraque e Síria a Sharia é cumprida de maneira dura entre a população, de modo que o consumo de bebidas alcoólicas, roubos, práticas de adultério, homossexualidade, relações com infiéis, desobediência das mulheres, etc., podem ser castigados com lapidação, açoites, amputação de extremidades, prisão ou pena de morte.

**O Califado é um Estado muçulmano, um sistema político e religioso regido por um chefe máximo chamado Califa, este sistema foi estabelecido pelo profeta Maomé há séculos atrás.